Herdade da Ribeira Abaixo


  1. Percurso
  2. Descrição
  3. Mapa
  4. Fauna
  5. Flora
  6. Fotografias
  7. Comentários

Percurso

Herdade da Ribeira Abaixo

Rotas do Litoral Alentejano

Perfil: Montanha

Época aconselhada: Todo o ano

Na Serra de Grândola, entre o Montado e a Ribeira.

Ext.: 2.8 km 1:00h Dificuldade: Gráfico da altitude:

233 pessoas gostam deste percurso.

Descrição


Herdade da Ribeira Abaixo

 

Este percurso localiza-se na Herdade da Ribeira Abaixo, uma estação de campo do CBA, com uma área de 221ha. Localiza-se na vertente este da Serra de Grândola.

O percurso começa ao se atravessar a pequena ponte (38 06 15N, 8 33 57W). Siga pelo caminho principal até chegar as bambos, aqui continue no caminho principal em direção ao dormitório. Vire na primeira interseção à direita, na direção da Ecoteca (38 06 24N, 8 34 74W). Ao chegar às ruínas, encontrará a primeira placa explicativa (P1) (38 06 26N, 8 34 11W). O caminho leva-o a oeste a uma interseção e siga para norte até ao próximo cruzamento (38 06 30N, 8 34 14W) e vire para este seguindo sempre o caminho marcado.

 

Desfrute da beleza do montado alentejano assim como da vegetação ribeirinha que acompanha a pequena ribeira. Aqui a presença humana não se faz notar, deixe-se envolver pelos sons, cheiros e cores da Serra de Grândola.

 

Mais à frente irá encontrar mais uma placa explicativa (P3) (38 06 39N, 8 34 53W), aqui tem duas opções: siga para a esquerda até à zona dos charcos artificiais, um lugar óptimo para se sentar um pouco beber água, recarregar energias e estar em comunhão com a natureza; ou vire à direita e siga o seu percurso.

Este troço acompanha sempre a ribeira dos Castelhanos, sempre pela sombra dos sobreiros e dos silvados. Na altura certa, poderá até deliciar-se com as amoras silvestres.

Assim que começar a ver o olival quer dizer que já está perto do fim, encontrará no fim do percurso a última placa explicativa (P8) (38 06 22N, 8 34 02W).

 

Um percurso curtinho mas que o deixará mais leve e em paz com a natureza.

Mapa



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Fauna


As florestas de sobro asseguram uma grande biodiversidade natural em fauna selvagem, só nesta pequena herdade podem contar-se cerca de 12 espécies de répteis e de anfíbios, 74 espécies de aves e 32 espécies de mamíferos. Os montados de sobro geram cobertos de fuga e nidificação e zonas de alimentação para várias espécies de fauna. (1)

Entre os animais mamíferos encontrados incluem-se coelhos (Oryctolagus cuniculus), doninhas (Mustela nivalis), genetas (Genetta genetta), javalis (Sus scrofa), texugos (Meles meles), raposas (Vulpes vulpes), lontras (Lutra lutra), sacarrabos (Herpestes ichneumon), morcegos (Myotis sp.; Rhinolophus sp.) e micromamíferos.

 

 

 

As florestas de sobro da Península Ibérica constituem o habitat ideal para milhões de aves. Durante a madrugada e ao anoitecer podemos ouvir o canto de variados passeriformes tais como cotovias (Lullula arborea), estorninhos (Sturnus sp.), gaios (Garrulus glandarius), pegas (Pica pica), rouxinóis (Luscinia megarhynchos), felosas (Phylloscopus sp.) e toutinegras (Sylvia sp.), tordos (Turdus philomelos), chapins (Parus sp.), trepadeiras (Sitta europaea), pardais (Passer domesticus) e escrevedeiras (Emberiza sp.). Com as suas cores contrastantes com o verde seco do montado podemos por vezes ver o voar de poupas (Upupa epops), abelharucos (Merops apiaster), tentilhões (Fringilla coelebs), pica-paus (Dendrocopos sp.) e piscos-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula) com o seu “babete” laranja. Durante o dia a sobrevoar os céus andam silhuetas de asas bem abertas como se estivessem a tomar conta de nós. A águia-d’ása-redonda (Buteo buteo) é a rapina que se vê com mais frequência a sobrevoar o montado. Podem também encontrar-se águias cobreiras (Circaetus gallicus), águias-calçadas (Aquila pennata) e até a águia de Bonelli (Aquila fasciata), com um estatuto de Raro segundo o Livro Vermelho dos Vertebrados em Portugal.

Durante a noite podemos ouvir o piar de outras rapinas, como o mocho-galego (Athene noctua), a coruja-das-torres (Tyto alba), o bufo-real (Bubo bubo) e a coruja-dos-matos (Strix aluco).

Das 51 Zonas Importantes para as Aves em Portugal Continental identificadas pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA)11 possuem manchas significativas (mais de 1000 hectares) de sobreirais e montados de sobro.

 

 

Apesar da sua natureza tímida é por vezes possível notar pelo canto do olho um rastejar fugidio. As mais comuns são as lagartixas-do-mato-comum (Psammodromus algirus), contudo podem encontrar-se também cobras-de-ferradura (Coluber hippocrepis), cobras-lisa-meridional (Coronela girondica), cobras-de-escada (Elaphe scalaris), sardões (Lacerta lepida), cobras-rateiras (Malpolon monspessulanus) e perto de água cobras-de-água viperinas. Licransos e cobras-cegas são também comuns debaixo de rochas e troncos.

 

 

Ao se olhar para dentro de água para nas suas margens, seja na ribeira ou nos charcos que aqui foram criados artificialmente para ajudar na conservação de anfíbios, existe todo um novo leque de animais a descobrir. Desde peixes, a lagostins, insectos e anfíbios. Nos peixes é de salientar a boga portuguesa (Chondrostoma lusitanicum), endemismo português e que está criticamente ameaçado. Quem não está ameaçado, muito pelo contrário, é uma enorme praga nas águas doces portuguesas é o lagostim-vermelho-do-lousiano (Procambarus clarkii) uma espécie introduzida inicialmente em Badajoz nos anos 70 para fins alimentares mas que depressa se dispersou pelas bacias hidrográficas da Península Ibérica. causa graves impactes negativos na vida animal e vegetal nos habitats que invade e passa rapidamente a ser a espécie principal. contribui para a redução de macrófitas, invertebrados, anfíbios e peixes e causa alterações na cadeia alimentar dos habitats aquáticos. Em suma, diminui a biodiversidade dos habitats.

 

Escondidos na vegetação, ou ainda em forma larvar dentro de água os anfíbios tornam bem marcada a sua presença, principlamente ao final do dia em que se ouve o coaxar das rãs-verdes (Rana perezi). Por vezes um verde-alface salta à vista, as relas (Hylas sp.) mostram a sua beleza verde claro eo seu olho bem delineado com uma risca negra. Podem também encontrar-se tritões-de-ventre-laranja (Triturus boscai), tritões-marmoreados (Triturus marmoratus), salamandras-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra), salamandras-de-costelas-salientes (Pleurodeles waltl), sapos e rãs de várias espécies.

 

 

Na superfície da água estão os sempre atarefados alfaiates (Gerridae sp.) que patrulham a água. Mais abaixo estão os “barqueiros” (Corixas sp., Notonecta sp.) que nadam de barriga para cima. Também na categoria dos insectos temos o escorpião-de-água (Nepa cinerea).

 

Num pequeno percurso, e sem dar conta, está rodeado de vida, basta ter atenção e encontrará um ser vivo em qualquer lado.

 

 

(1)   http://cba.fc.ul.pt/services/HRA-NOVO/HRA_NOVO.swf

Flora


A paisagem dominante da HRA é o montado, com e sem subcoberto, que tem vindo a ser progressivamente abandonado nos últimos 35 anos. Os Montados são sistemas agro-silvo-pastoris e um dos exemplos de sistemas tradicionais sustentáveis de uso no solo da Europa. Representam uma área de aproximadamente 1,2 Mha, a maior parte na região do Alentejo, no sul de Portugal. O valor económico dos montados deve-se, essencialmente, à produção de cortiça, estando a sua importância cultural relacionada com o papel que têm na conservação da biodiversidade e valores históricos como o registo de sistemas sociais e agrícolas tradicionais.

Este montado localiza-se na área climácica de Quercion fagineo-suberis, aliança dominada por carvalhos de folha persistente – nomeadamente sobreiro (Quercus suber) e azinheira (Quercus ilex), aos quais se associa carvalho cerquinho (Quercus faginea) que revela alguma influência atlântica. É um habitat de elevada expressão em termos nacionais e de elevado interesse para a conservação na perspectiva comunitária.

 

O sobreiro representa uma forte fonte de rendimento desta região, uma vez que é dele que se extrai a cortiça. A extração da cortiça não é (em termos gerais) prejudicial à árvore, uma vez que esta volta a produzir nova camada de "casca" (súber) com idêntica espessura a cada 9 anos, período após o qual é submetida a novo descortiçamento. A finalidade da cortiça é o fabrico de isolantes térmicos, tecido de cortiça (vestuário, acessórios como malas, bolsas, carteiras e sapatos), materiais de isolamento sonoro de aplicação variada e ainda indústria aeronáutica, automobilística e até aeroespacial, mas sobretudo é utilizada na produção de rolhas para engarrafamento de vinhos e outros líquidos. Portugal é o maior produtor mundial de cortiça, sendo a cortiça portuguesa responsável por 50% da produção mundial.

 

Algumas destas áreas foram utilizadas como pastagem para gado ovino, caprino e bovino, enquanto outras estão cobertas por um denso sargaçal (Cistus salvifolius), incluido na aliança Cisto - lavanduletae alliance, juntamente com rosmaninho (Lavandula stoechas), medronheiro (Arbutus unedo) e ainda importantes áreas de silvas (Rubus ulmifolius), particularmente junto às margens das linhas de água. Das diversas plantas que se podem encontrar aqui existem algumas que são usadas há centenas de anos pelo ser humano, é o caso do medronho e do cardo (Cynara cardunculus flavescens). O medronho além de se poder comer fresco, é possível fazer diversos derivados como geleia, aguardente e licores. O cardo, uma planta espinhosa de flor arroxeada tem uma função que poucos poderiam imaginar. Era usado antigamente para coalhar o leite e fazer queijo. As flores são colhidas quando a planta começa a ficar senescente (Junho e Julho) e são aramzenadas em locais secos de modo a poderem ser usadas na coagulação do leite durante o Outono e Inverno. No mês de Agosto, é também possível apanhar as amoras-silvestres que caem em cachos das silvas que vamos encontrando pelo caminho. Com o seu doce viciante, vale a pena correr o risco de umas picadelas valentes dos picos que as protegem a todo o custo. 

 

 

 

A HRA é limitada a este por uma pequena ribeira de regime intermitente, a Ribeira dos Castelhanos, que se inclui na bacia hidrográfica do rio Sado, e atravessada por várias linhas de água temporárias que podem ser identificadas pelos corredores de vegetação ripícola dominados por amieiro (Alnus glutinosa), choupo (Populus nigra) e salgueiro (Salix atrocinerea).

 

 

 

 

Assim podemos dividir, a flora da Herdade da Ribeira Abaixo em 3 categorias: montado, constituido por sobreiros, estevas, medronheiros e sargaço; prado, maioritariamente restrito às zonas de pastoreio, dominado por herbáceas e com pequenas flores como olhos-de-boi (Coleosthephus mycanis), botão-azul (Jasione montana) e o cardo; e zona ribeirinha, dominada por silvados, amieiros, choupos e salgueiros.

 

Baseado em:

  • O Centro de Biologia Ambiental e a sua Estação de Campo; Margarida Santos Reis in:

http://naturlink.pt/article.aspx?menuid=16&cid=2507&bl=1&viewall=true

Fotografias


Início do Percurso

Ponte sobre a ribeira na entrada da Herdade da Ribeira Abaixo

Fim do Percurso

Olival

Serra de Grândola

Ladeados pela Serra de Grândola

Quercus suber

Sobreiro imponente que se atravessa no caminho.

Ribeira dos Castelhanos

Àgua fresca que corre ao longo deste percurso

Montado

O Montado com os seus sobreiros.

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