Rota do Garum


  1. Percurso
  2. Descrição
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  4. Fauna
  5. Flora
  6. Fotografias
  7. Comentários

Percurso

Rota do Garum

Rotas do Litoral Alentejano

Perfil: Plano

Época aconselhada: Todo o ano.

Da Praia de Troia até Acála. Percurso entre a praia oceânica e as ruínas de um dos maiores complexos de salga de peixe do Império Romano.

Ext.: 2.5 km 0:40h Dificuldade: Gráfico da altitude:

480 pessoas gostam deste percurso.

Descrição


Da Praia de Troia às Ruínas Romanas de Troia (2,5 Km)

Este percurso liga a praia atlântica às Ruínas Romanas de Troia, situadas à entrada da Caldeira de Troia, uma enseada no interior da península de Troia cuja abertura se faz para o estuário do Sado.

Saia da Praia de Troia cerca de 2 km a sul do Bico das Lulas, em 38 28 09 N, 08 53 10 W, na direção nordeste, por um estradão que atravessa as dunas atingindo a estrada Troia – Comporta junto a um poste de comunicações móveis.

Passe para nascente do poste de comunicações, e continue para nascente e depois para NE, seguindo um caminho entre as dunas, com vegetação esparsa, pontuada por pinheiros. Mais à frente, atingirá um estradão que contorna a serena caldeira interior da península de Troia.

Se o estuário do Sado é já uma zona de proteção da agitação marítima da costa atlântica lusitana, imagine-se como esta enseada, ainda mais protegida dos ventos e correntes, bem serviria de abrigo às embarcações, pesadas, movidas sobretudo a remos, de amuradas baixas, que do Mar Mediterrâneo se atreviam a passar as Colunas de Hércules (Gibraltar) e vir até aqui.

No final do estradão encontrará as Ruínas Romanas de Troia, um grande complexo de produção de salgas de peixe, do século I, com casas, termas, necrópoles e uma basílica paleocristã. Neste complexo, produzia-se uma iguaria muito apreciada nas diversas partes do mundo romano, para onde era exportada, o “garum”, pasta ou molho que servia para condimentar os alimentos, composto por vísceras de peixe e marisco selecionados, aos quais eram adicionadas ervas aromáticas de diferentes naturezas, sofrendo depois um tratamento de maceração e fermentação.

  Horários - Contactos

 

 

 

Mapa



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Fauna


A Reserva Natural do Estuário do Sado é uma das principais zonas húmidas portuguesas, albergando habitats aquáticos e terrestres tão diversos como sapais, canaviais, salinas, arrozais, vasas, pradarias marinhas, pinhais, montados, dunas e matagais. Constitui por isso um refúgio relevante não só para aves residentes e nidificantes como o pernilongo (Himantopus himantopus), a águia-sapeira (Circus aeruginosus) e a andorinha-do-mar-anã (Sternula albifrons), como para espécies migradoras como o colhereiro (Platalea leucorida), o flamingo (Phoenicopterus roseus) e o maçarico-galego (Numenius phaeopus). (1)

Os estuários são locais onde a confluência de  águas doces e salgadas, a grande deposição de sedimentos e a diária influência das marés criam condições ótimas para a formação de inúmeros habitats naturais. Um dos mais interessantes são as pradarias marinhas, compostas por uma ou mais espécies de plantas com flor adaptadas a viver submersas em água salgada. É nestes habitats que podemos encontrar uma vasta diversidade de animais: cavalos-marinhos (Hippocampus guttulatus), chocos (Sepia officinalis), fanecas (Trisopterus luscus), gorazes (Pagellus bogaraveo), cenouras-do-mar (Veretillum cynomorium) e enguias (Anguilla anguilla). (1)

Entre o mar e o estuário do Sado este trilho apresenta uma diversidade de animais muito vasta. Desde peixes, moluscos, caranguejos, aves, répteis, anfíbios, mamíferos e insectos.

Na parte costeira junto à linha de água a gaivota-de-patas amarelas (Larus michahellis) e a gaivota-d’asa-escura (Larus fuscus) são uma constante companhia com os seus voos rasantes à água ou pousadas no extenso areal.  Aqui podemos também encontrar o guincho (Chroicocephalus ridibundus), o pilrito-das-praias (Calidris alba) e o borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula) entre outras aves que fazem deste lugar local de paragem.

Ao se olhar para o mar podemos ser brindados com o aparecimento dos golfinhos-roazes (Tursiops truncatus) que saem e entram do estuário do Sado à procura de alimento.

Deslocando-nos da zona de praia para as dunas secundárias, os répteis fogem de nós, lestos. Apesar de existirem cerca de 11 espécies de répteis nesta zona, os mais comuns são a lagartixa-do-mato (Psammodromus algirus), a lagartixa-de-dedos-denteados (Acanthodactylus erythrurus) e a osga (Tarentola mauritanica).

A Caldeira de Tróia é um local de relevo no estuário do Sado, sendo um berçário para peixes, moluscos e carangueijos. No silêncio, pode ouvir-se o coaxar das rãs-verde (Pelophylax perezi) e das relas (Hyla arborea e Hyla meridionalis). É também neste local que se pode encontrar uma grande variedade de aves, tanto nidificantes como invernantes. Tem assim estatutos internacionais de proteção: zona de proteção especial, Diretiva 79/409/CEE (revogada pela Diretiva 2009/147/CE – Diretiva Aves), de Área Importante para as Aves Europeis, designação da Comissão Europeia, e de Sítio Ramsar, ao abrigo d Conveção de Ramsar, e classificação de Biótpo CORINE C14100013, do programa CORINE 857338/CEE.

Têm especial estatuto de conservação: o Noitibó-cinzento (Caprimulgus europaeus); o  Maçarico-das-rochas (Actitis hypoleucos); a Águia-sapeira (Circus aeruginosus); o Merganso-de-poupa (Mergus serrator); e a Andorinha-do-mar-anã (Sternula albifrons).

 

(1)   Folheto Informativo “Estuário do Sado – Tróia”; TROIA NATURA & ICNF; 2016

Flora


  Toda a península de Tróia  é uma restinga formada por areia transportada pelo mar e pelo vento, o que constitui um grande desafio à sua colonização por plantas, devido ao caracter móvel e estéril dos solos, a que acresce a extrema exposição aos ventos e à salsugem marinha que estes transportam. (1)

  Existem dois tipos de vegetação predominante, presentes neste curto mas belo percurso: a vegetação dunar e a vegetação característica do sapal.

  Junto ao mar podemos encontrar as primeiras plantas colonizadoras das dunas embrionárias, o feno-das-areias (Elymus farctus), a morganheira-das-praias (Euphorbia paralias), o cardo-maritimo (Eryngium maritimum) e o cordeirinho-das-Eryngium maritimumpraias (Otanthus maritimus), plantas pioneiras que colonizam e consolidam as dunas embrionarias e as cristas dunares móveis. No entanto, o grande edificador das dunas primarias é o estorno (Ammophila arenaria), uma gramínea que forma densos tufos e cujas raízes fixam a areia ao mesmo tempo que a enriquecem, permitindo que outras espécies menos tolerantes se possam instalar, como as ansarina-da-praia (Linaria polygalifolia) e as bocas-de-lobo (Antirrhinum cirrhigerum), já caracteristicas da duna em processo de estabilização – a duna secundária. (1) 

  Ao nos afastarmos do mar, chegamos às dunas secundárias e terciárias, agora com a presença de pinheiro bravo (Pinus pinaster) e pinheiro manso (Pinus pinea), aroeira (Schinus terebinthifolius), cravo-das-areias (Armeria pungens), camarinha (Corema album) e zimbro (Juniperus communis). A aroeira é uma planta com propriedades anti-inflamatórias, antiespasmódicas, tónicas, diuréticas, entre outras, além de as suas bagas serem apreciadas como uma espécie de pimenta doce denominada por poivre rose. A camarinha é uma planta de porte arbustivo com umas pequenas bagas brancas comestíveis, de sabor adocicado.

  Podemos também aqui encontrar a joina-das-areias ou joina-dos-matos (Ononis natrix), o sargaço (Halimium commutatum / Halimium halimifolium), a estivinha (Cistus salvifolius), a queiró (Calluna vulgaris), a sabina-da-praia (Juniperus phoenicea subsp. turbinata), o lentisco (Phillyrea angustifolia) e a Osyris lanceolata.

  Na zona central da restinga arenosa que constitui a península de Tróia está delimitada a Reserva Botânica das Dunas de Tróia, um dos espaços melhor preservados em toda a costa portuguesa em termos de cordão dunar e vegetação, essenciais à fixação das areias. Existem aqui inúmeras espécies raras e endemismos ibéricos, como o tomilho-carnudo (Thymus carnosus), e ainda endemismos portugueses, como a cocleária-menor (Ionopsidium acaule), a santolina (Santolina impressa) e a Linaria ficalhoana. Podem também observar-se as diversas fases da sucessão dunar, desde as dunas primárias ou embrionárias junto à praia, até aos desenvolvidos pinhais dunares e zimbrais, mais para o interior. (1)

 

 

 

 

 

 

 

     À medida que nos aproximamos da Caldeira de Tróia existe uma transição da vegetação dunar/matos para vegetação de sapal. Este tipo de vegetação é característico por se encontrar em zonas de marés com mistura entre água doce e salgada, estando parcialmente ou totalmente submersa na altura de maré alta.

  São poucas as espécies de plantas que vivem neste ambiente agreste, pois têm que possuir grande tolerância à salinidade, encharcamento, variações de temperatura e falta de àgua doce. No sapal baixo, que todos os dias é inundado pela maré só ficando completamente a descoberto na maré vazia, ocorrem sobretudo prados de morraça (Spartina maritima), mas também se podem observar a gramata (Sarcocornia perennis) e a salicórnia (Salicornia sp). O sapal alto, que só é inundado pela maré alta, com períodos de submersão curtos e espaçados no tempo, permite uma maior diversidade de plantas. Aí podem encontrar-se: a gramata-branca (Halimione portulacoides), várias espécies de Sarcocornia, o valverde-dos-sapais (Suaeda vera), o junco-maritimo (Juncus maritimus), o limónio (Limonium vulgare), a madorneira-bastarda (Inula crithmoides) e a salgadeira (Atriplex halimus). (1)

Salicornia  Com um grande valor comercial a salicórnia recentemente deixou de ser apelidada de praga e passou a ser considerada uma erva-gourmet. Com um sabor salgado é atuamente utilizada por chefs de cozinha como substituta do sal.

  Ao entrarmos no caminho de terra batida em direção às ruínas voltamos a encontrar uma vegetão de mato, constituida principalmente por pinheiros, alguns sobreiros (Quercus suber) e eucaliptos (Eucalyptus globulus).

 

(1) Folheto Informativo “Estuário do Sado – Tróia”; TROIA NATURA & ICNF; 2016

Fotografias


Início do Percurso

Praia de Troia, cerca de 2 km a sul do Bico das Lulas.

Fim do Percurso

Ruínas romanas de Troia

Pinhal

Estuário do Sado

Caldeira de Tróia

Mausoléu das ruínas romanas de Troia

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